quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Até onde vai?

Hoje em dia já é ate hilariante ver os marketings de produtos como a Coca Cola, que leva o elemento a monopolizar a sua mente, tendo em vista apenas ela. Das formas mais variadas isso é feito, seja através de animações sem originalidade ou por frases como: ‘’Viva o lado Coca Cola da vida’’. É tanto que hoje, é difícil um cidadão qualquer dizer que sua bebida favorita é um suco, café ou um mero tampico. E os que se englobam mais nisso são os jovens.

Sim, os jovens! Desprovidos de senso do ridículo, diria ate mesmo inteligência, muitos chegam ao extremo, perfurando sua língua para colocar um piercing com a inscrição: Coca Cola Zero, podendo sofrer uma hemorragia e morrer de graça por mera idiotice. E muitos se divertem com esse tipo de coisa,resultado? A Coca Cola patrocina a colocação de piercing em 280 outros aficionados
Alem da irresponsabilidade desse ato,um dos componentes presente no refrigerante é utilizado para tirar ferrugem de carro,e isso já é notado pelas crianças,que chega a me envergonhar o fato de crianças terem mais noção do que adolescentes.

Hoje,é essencial que a empresa atinja o publico de 15 a 25 anos,por serem os que mais consumem,mas fico pensando,qual vai ser o próximo lugar que eles vão perfurar?


Autor: Arthur Jordan

Resumo comentado da crônica: Os golinhas

A história conta um drama de uma mãe que ganhou um golinha há 14 anos de sua amiga. Ela o tratava como um filho. Quando ela tem que viajar, deixa o golinha com sua filha. Mas o golinha foi sequestrada, com gaiola e tudo. A menina fica super apreensiva para descobrir o paradeiro do pássaro.

Características:
Liguagem coloquial
Narrativa
3º pessoa

Comentário:
O texto mais se aproxima de uma conversa do que de um texto escrito, uma liguagem bem popular e de fácil compreensão.

Resumo comentado da crônica: Das Dores

Uma menina de nove anos que parece menos de sete, mas com amadurecimento de gente adulta. A históri aretrata uma garota vinda do sertão, onde sofrera fome e subnutrição. As pezares da vida não a impedia de ser uma garota curiosa, cheia de dúvidas, de argumentos e de questionamentos. Seu pai morreu de beber, era vaqueiro mas se visse uma bodega no meio do caminho se sebarrava em cumprir seu fado.
Isso conta Maria das Dores como se trouxesse de cor a lição de sua tão curta vida.Após sair daquele sofrimento que passara no sertão, miséria total, sua mãe, ela e os irmãos foram morar com a avó. Sua mãe, como ultima e única saída, juntou-se a seu Inácio, vizinho da avó de Das Dores. Depois de ser abandonada pelo amante, sua mãe, resolve doar os filhos para conhecidos, ficando somente com o mais velho e os dois menores, depois tornou-se lavadeira. Após se lembrar dessa curta e marcante infância, sobre um prato farto de comida, Das Dores comenta que não quer voltar para o sertão.

Características da crônica: 
Texto narrativo
Em 3º pessoa
Liguagem simples

Comentário:
Essa crônica retrata um dos maiores problemas vividos pelos sertanejos, a miséria. Conta a história de uma menina que mesmo pelo que viveu ainda continua como uma criança. Mostra, também, como o mundo dá voltas.

Resumo comentado da crônica: Jurema

Essa crônica fala sobre Jurema, velhota de olhos grandes, de claro e inquieto azul. Uma mulher que pensava muito na vida e gostava de contar seus feitos. Pensava no que passava pela mente das pessoas, imaginava quais os problemas e as preocupações que poderiam estar passando em suas mentes naquele momento.
Jurema era uma vendedora de cravos e em cada talo um versinho datilografado. Em um dia chuvoso estava ela em um bar distribuindo alguns de seus cravos que trazia em uma cesta. Ao rapaz, que antes lhe convidara a sentar, deu um cravo sangüíneo. O rapaz, surpreso, escreveu um poema em um guardanapo de papel, bendizendo a noite, a chuva e os acontecimentos naquela noite.
Jurema depois de dois casamentos fracassados desistiu de companheiro oficial.
Ela afirmava que não queria romances com jovens. Nada de amor com crianças.
Jurema desapareceu. De vez em quando era lembrada pelos amigos.
Passou o tempo e ela reapareceu com um marido sem papeis de cartório e de igreja.
Um broto de marido, com tempo de ser seu filho.

Características
•Texto narrativo
•Contêm estrangeirismo
•Linguagem culta


COMENTÁRIO:
Um texto para refletir sobre as atitudes boas das pessoas,
Relacionamentos de amizade,
E sobre o que as pessoas falam que depois podem
se contradizer.

Resumo comentado da crônica: Matoso- pai e filho

Um homem chamado Francisco dos Santos Matoso mais conhecido como Chico Matoso o qual é o narrador e fica admirado com o seu jeito e sempre lembrando das suas histórias,seus feitos,seus defeitos e suas manias. Depois fala da visita do filho que havia partido do interior para a cidade grande onde lá tentou a sorte e os dois conversaram sobre os assuntos da família. No final do texto "Chico Matoso" "conheceu"(?) Galileu,pois ele não acreditava que a Terra é redonda.


Característica:
  • Descritiva
  • Em 3ª pessoa
  • Linguagem simples
Comentário:
É um texto de certo modo interessante,pois mostra tanto o lado de um trabalhador rural e a ignorância do mesmo onde este chega a duvidar de Galileu.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Resumo comentado da crônica:O louro e o gato

É muito bom viajar, quebrar a rotina, mas também e muito bom voltar, retomar ao mesmo canto da sala, voltar à rotina de antigamente, rever amigos, a escola.
Passado o alvoroço da volta, quando a rotina se instala,faço uma revisão do que deixei em casa, confiro tudo, inclusive o passarinho, vai conferindo com grande felicidade e empolgação, ao ver que todos estão vivos e em felizes. As graúnas estão no seu melancólico canto, não consegui arrumar maridos para elas.o galo-de-campina ,feliz como sempre destaca se dos demais com seu magnífico canto, e de um por um , verifico como todos estão.
Aos poucos vou me informando do que ocorreu durante minha ausência e me dou conta de dois fatos a registrar e lamentar. Primeiro foi o louro, que numa manha, servindo-se da ausência dos donos da casa, cumprindo uma crise que deu lá nele, soltou-se derrepende, com uma habilidade espetacular e voou para o galho de uma arvore próxima a minha casa, depois foi mais para cima. a chegar lá não conseguiu mais descer, foi preciso esperar que os meninos da fim da rua chegasse para tirar-lo de lá.
O outro fato lamentável foi à morte do gato, que já tinha ate a sua biografa escrita por quem assina essas mal traçadas linhas e publicada em jornal. Ao chegar perto de minha casa , magro, triste, sem alegria, peguei-o e o cudei, bastante bem, ate que ficou , bem alegre.Era engraçado que sempre me esperava chegar deitado na janela da vizinha. Passou uma única noite fora de casa, com uma gata preta da vizinha, o qual falava muito mal. Morreu na minha ausência, felizmente foi assistido, morreu devagarzinho, adoeceu, foi tratado ate a morte, como merecia. Ainda foi caluniado, disse que ele não conseguia corresponder aos desejos da gata saliente, tudo mentira, ele estava mesmo era doente.


Características:
A crônica e narrada em 1°pessoa, trata-se de uma crônica narrativa, onde o autor narra fatos passados, tem uma linguagem não muito arcaica, de fácil compreensão.E deixa bem claro o envolvimento de suas emoçoes.

Comentários:
Na crônica, Milton Dias fala que ao voltar de suas férias gosta de ver seus pássaros, ai ele quer diz que ao voltar de férias gosta de ver se todos os seus pássaros ainda estão bem,fica muito triste ao saber da morte de seu gato e que seu louro tentou fugir.
Ele deixa bem claro que gosta de suas coisas do jeito que deixa ficar.E que adorava seus bichos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A crônica de Milton Dias

Essencialmente cronista, Milton Dias sabe a importância das coisas miúdas, dos pequenos acontecimentos que também fazem parte da condição humana.

Ao captar instantes, fragmentos de tempo, ele, com o olhar agudo, entende que aí se esconde a complexidade de nossas dores, das nossas alegrias, dos nossos sonhos, das nossas frustrações; percebe, assim, que, por trás do aparentemente banal, do que pode parecer inexpressivo, está algo que nos perturba, que diz de nós, que, afinal, espelha nosso duplo ou fragmentos de nossos valores, crenças e modos de ver o mundo.

A crônica de Milton Dias é, essencialmente, lírica. Sua linguagem flui em ritmo prolongado, muitas vezes em períodos longos, mas em frases curtas, e dessa combinação se evola um quê de música, de melodia que se encontra nas vozes da natureza. O gosto pelos adjetivos faz com que os quadros da realidade por ele captados banhem-se de uma atmosfera pastosa, pois tudo se deixa envolver pela emoção.

É ele, sobretudo, um amante da cidade que o acolheu - esta Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Em suas crônicas, enumeram-se os logradouros, os monumentos, os tipos populares, os movimentos da noite, o conto dos galos, o apito dos vigias, os automóveis com os seus faróis queimando a noite escura. Naturalmente, tal configuração já não mais condiz com os dias de hoje; entanto, lê-lo é deparar uma outra Fortaleza, estabelecendo, assim, uma ponte entre o passado e o presente; é, pois, um reencontro com fragmentos de nossa identidade.


Fonte:http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=480050

Um pouco sobre Milton Dias


Milton Dias (* 1919 - Ipu - CE; + 1983 - Fortaleza - CE ), após iniciar os estudos na cidade de sua infância, Massapê, vem para o Colégio Castelo Branco em regime de internato. A experiência da infância em meio à paisagem sertaneja, seus mitos e ritos, lendas e cantorias, foi fundamental para a formação de sua sensibilidade criadora, uma vez que despertaria, no futuro cronista, a inclinação para o lirismo, o poético.

No Colégio Marista Cearense, onde realizou os estudos secundários, descobriu, em definitivo, a vocação da escritura. Sendo fundador dos jornais ´O Ideal´; e ´Alvorada´.

Graduou-se em Letras Neolatinas na Faculdade de Filosofia; em Paris, cursou os Estudos Superiores Modernos de Língua Francesa e Literatura Francesa. O Governo francês o condecorou com a Ordem das Palmas Acadêmicas. Foi professor de Língua e Literatura Francesa no Curso de Letras da UFC. Ocupou, na Academia Cearense de Letras, a Cadeira nº 4.

Sua escritura envolve a produção de ensaios, de contos, mas a sua consagração enquanto criador se deu no gênero crônica. Publicou, ao longo de 29 anos de ininterrupta produção em jornal, as seguintes obras: ´Sete Estrelo´ (1960); ´As cunhãs´ (1966); ´A ilha do homem só´ (1966); ´Entre a boca da noite e a madrugada´ (1971); ´Viagem ao arco-íris´ (1974); ´Cartas sem respostas´ (1974); ´Fortaleza e eu´ (1976); ´A capitoa´ (1982) - crônicas; ´As outras cunhãs´ (1976) - (histórias e crônicas´; ´Péguy, poeta da esperança´ (1976); ´Passeio no conto francês´ (1983) - ensaio. A reunião parcial de suas crônicas está no livro ´Relembranças´.

Fonte:http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=480050

Milton Dias: Entre a boca da noite e a madrugada.

O livro "Entre a boca da noite e a madrugada", de Milton Dias, foi escolhido para integrar a listagem dos livros do vestibular deste ano da Universidade Federal do Ceará(UFC).
O livro Entre a boca da noite e a madrugada, de Milton Dias, representa o gênero crônica.

Ao se projetar em algumas dessas crônicas, o escritor se apresenta como um saudosista incurável. Seus personagens são reais e marcados por uma visão fraternal.

Essencialmente cronista, Milton Dias sabe a importância das coisas miúdas, dos pequenos acontecimentos que também fazem parte da condição humana.

Ao captar instantes, fragmentos de tempo, ele, com o olhar agudo, entende que aí se esconde a complexidade de nossas dores, das nossas alegrias, dos nossos sonhos, das nossas frustrações; percebe, assim, que, por trás do aparentemente banal, do que pode parecer inexpressivo, está algo que nos perturba, que diz de nós, que, afinal, espelha nosso duplo ou fragmentos de nossos valores, crenças e modos de ver o mundo.

A crônica de Milton Dias é, essencialmente, lírica. Sua linguagem flui em ritmo prolongado, muitas vezes em períodos longos, mas em frases curtas, e dessa combinação se evola um quê de música, de melodia que se encontra nas vozes da natureza. O gosto pelos adjetivos faz com que os quadros da realidade por ele captados banhem-se de uma atmosfera pastosa, pois tudo se deixa envolver pela emoção.

É ele, sobretudo, um amante da cidade que o acolheu - esta Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Em suas crônicas, enumeram-se os logradouros, os monumentos, os tipos populares, os movimentos da noite, o conto dos galos, o apito dos vigias, os automóveis com os seus faróis queimando a noite escura. Naturalmente, tal configuração já não mais condiz com os dias de hoje; entanto, lê-lo é deparar uma outra Fortaleza, estabelecendo, assim, uma ponte entre o passado e o presente; é, pois, um reencontro com fragmentos de nossa identidade.

O livro Entre a boca da noite e a madrugada se divide em cinco partes: "Os bichos"; "O tempo"; "As mulheres"; "Os homens"; e "Mar, sertão, rosas e outras".

Fonte:http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/e/entre_a_boca_da_noite_e_a_madrugada


Crônicas pra descontrair

Dois amigos e um chato

Os dois estavam tomando um cafezinho no boteco da esquina, antes de partirem para as suas respectivas repartições. Um tinha um nome fácil: era o Zé. O outro tinha um nome desses de dar cãibra em língua de crioulo: era o Flaudemíglio.

Acabado o café o Zé perguntou: - Vais pra cidade?

- Vou - respondeu Flaudemíglio, acrescentando: - Mas vou pegar o 434, que vai pela Lapa. Eu tenho que entregar uma urinazinha de minha mulher no laboratório da Associação, que é ali na Mem de Sá.

Zé acendeu um cigarro e olhou para a fila do 474, que ia direto pro centro e, por isso, era a fila mais piruada. Tinha gente às pampas.

- Vens comigo? - quis saber Flaudemíglio.

- Não - disse o Zé: - Eu estou atrasado e vou pegar um direto ao centro.

- Então tá - concordou Flaudemíglio, olhando para a outra esquina e, vendo que já vinha o que passava pela Lapa: - Chi! Lá vem o meu... - e correu para o ponto de parada, fazendo sinal para o ônibus parar.

Foi aí que, segurando o guarda-chuva, um embrulho e mais o vidrinho da urinazinha (como ele carinhosamente chamava o material recolhido pela mulher na véspera para o exame de laboratório...), foi aí que o Flaudemíglio se atrapalhou e deixou cair algo no chão.

O motorista, com aquela delicadeza peculiar à classe, já ia botando o carro em movimento, não dando tempo ao passageiro para apanhar o que caíra. Flaudemíglio só teve tempo de berrar para o amigo: - Zé, caiu minha carteira de identidade. Apanha e me entrega logo mais.

O 434 seguiu e Zé atravessou a rua, para apanhar a carteira do outro. Já estava chegando perto quando um cidadão magrela e antipático e, ainda por cima, com sorriso de Juraci Magalhães, apanhou a carteira de Flaudemíglio.

- Por favor, cavalheiro, esta carteira é de um amigo meu - disse o Zé estendendo a mão.

Mas o que tinha sorriso de Juraci não entregou. Examinou a carteira e depois perguntou: - Como é o nome do seu amigo?

- Flaudemíglio - respondeu o Zé.

- Flaudemíglio de quê? - insistiu o chato.

Mas o Zé deu-lhe um safanão e tomou-lhe a carteira, dizendo: - Ora, seu cretino, quem acerta Flaudemíglio não precisa acertar mais nada!

Sérgio Porto - Stanislaw Ponte Preta

A velhinha contrabandista

Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava na fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da alfândega - tudo malandro velho - começou a desconfiar da velhinha.

Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:

- Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?

A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:

- É areia!

Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.

Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com moamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.

Diz que foi aí que o fiscal se chateou:

- Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com quarenta anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.

- Mas no saco só tem areia! - insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:

- Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?

- O senhor promete que não "espáia"? - quis saber a velhinha.

- Juro - respondeu o fiscal.

- É lambreta.

Sérgio Porto - Stanislaw Ponte Preta

O Pavão

Rubem Braga


Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.

Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.

Rio, novembro, 1958



domingo, 26 de outubro de 2008

Cronistas famosos

Os cronistas são os espiões da vida, e muitos são os bons cronistas brasileiros. Seria impossível falar de cada um. Então, nos limitamos a uns poucos no meio de tantos.

JOÃO DO RIO Consagrou-se como cronista mundano, que, ao invés de um simples registro do formal, fazia o comentário dos acontecimentos que tanto podiam ser do conhecimento público quanto da imaginação do cronista, tudo examinado pelo ângulo da recriação do real. Ele inventava personagens e dava aos seus relatos um toque ficcional. (1)

FERNANDO SABINO
Sempre voltado para a busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano, ele nos mostra que o cronista tem seu "momento de escrever" e que, apesar da pressa, característica do ofício, ele também recebe o impulso da inspiração, seleciona e pesquisa, trabalhando o texto em suas diferentes fases.

SÉRGIO PORTO
Traz a força total do humor tipicamente brasileiro expresso nas crônicas de Stanislaw Ponte Preta. Além de registrar a vida cotidiana, ele critica aquele tipo inculto que inventa palavras e expressões, criando um mundo de baboseiras (na mira, Ibrahim Sued). Influenciado por Manoel Bandeira, consciente das técnicas narrativas e dos recursos da língua, Porto recupera, através do humor, a poesia. Foi um raro criador de tipos que representam a índole do povo brasileiro, dando-lhes sempre a preferência em suas narrativas, um tanto fatídicas. (2)

LOURENÇO DIAFÉRIA
Segue outra vertente do humorismo: a precedência dos fatos sobre os personagens que os vivem, vistos com um olhar mais otimista. Consciente de que sua função é prestar atenção ao banal, ele vai costurando retalhos de informações até transformá-los em um relato verossímel, estruturado de acordo com as leis da coerência do texto, as peças ajustadas como num quebra-cabeça. Diaféria vai cumprindo o exercício da crônica como um testemunho do nosso tempo, contando as tragicomédias diárias, fazendo o leitor recuperar seu senso crítico enquanto se diverte, alcançando o que está além da banalidade. (3)

PAULO MENDES CAMPOS
É um caçador de imagens perdidas nas lembranças. Suas crônicas parecem poema em prosa tentando resgatar o tempo da infância perdida, em um jogo de analogias que envolve o leitor num somatório de emoções. Seu universo imaginário aproxima-se do real, permitindo ao leitor suportar as pressões do mundo convencional e partir para buscar novos horizontes, lembrando que ainda vale a pena viver.

CARLOS HEITOR CONY
A experiência pessoal serve como ponto de partida para o trabalho deste cronista. Do convívio com sua própria família nascem as reflexões que servem de pretexto para formar uma visão crítica do mundo. Transitando entre textos despreocupados e dramáticos, Cony demonstra claramente sua preocupação em mergulhar na alma de seus personagens para melhor compreender os mistérios do ser, aproveitando "a leveza da crônica para buscar a leveza do espírito, na imagem do amor eternamente retornando ao homem e lhe devolvendo o sentido da humanidade". (4)

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Seus textos apresentam a magia da síntese, o ritmo adequado, o jogo de imagens e o fino humor que revela o cansaço da vida e sua reabilitação. Drummond sabe que a crônica também tem sua "musa", o objeto nomeado para o nosso reencontro com a essência, nosso renascer. Dessa relação ele tira o necessário distanciamento para compreender seus próprios atos, confirmando o encontro do homem com alguma coisa que esta fora dele.

VINÍCIUS DE MORAES
Apesar de considerar a "prosa como uma arte ingrata" ele mantém o equilíbrio entre o não ficcional e o ficcional, usando artimanhas peculiares. Transita entre a poesia, a prosa e a crônica usando
subjetivismo como forma de apreensão do ser humano. Um artista, no sentido pleno da palavra.

RUBEN BRAGA
Dotado de uma sensibilidade especial e um lirismo reflexivo, Braga conhece a importância dos pequenos momentos que, somados, completam o quebra-cabeças da vida. Certamente capaz de produzir contos, novelas ou romances, ele não se deixou seduzir pelos chamados "gêneros nobres" e tornou-se essencialmente, cronista. Ocupa lugar de destaque na história da crônica brasileira. Pertencendo à linhagem do poeta Manuel Bandeira, de quem recebeu influência e de João do Rio, antecessor de todos os cronistas, Ruben Braga através de valores que recebeu em sua formação situa-se como um indivíduo num contexto social amplo. Ele compõe, então, um caminho claro, através do qual o prazer da leitura pode ser reencontrado, mostrando, através de um fato miúdo ou da estória inventada, a nossa própria estória. Ler Ruben Braga é encantar-se com suas palavras.

Fonte:
1- Sá, Jorge de. A Crônica. Ática, São Paulo, 1985, pág. 9.
2- Idem, pág. 31-37
3- Idem, pág. 39-47.
4- Idem, pág. 64

http://artearteira.blogspot.com/2005/12/15-os-espies-da-vida-cronistas-famosos.html

Tipos de Crônica

Crônica Descritiva

Ocorre quando uma crônica explora a caracterização de seres animados e inanimados num espaço, viva como uma pintura, precisa como uma fotografia ou dinâmica como um filme publicado.

Crônica Narrativa

Tem por eixo uma história, o que a aproxima do conto. Pode ser narrado tanto na 1ª quanto na 3ª pessoa do singular. Texto lírico (poético, mesmo em prosa). Comprometido com fatos cotidianos ("banais", comuns).

Crônica Dissertativa

Opinião explícita, com argumentos mais "sentimentalistas" do que "racionais" (em vez de "segundo o IBGE a mortalidade infantil aumenta no Brasil", seria "vejo mais uma vez esses pequenos seres não alimentarem sequer o corpo"). Exposto tanto na 1ª pessoa do singular quanto na do plural

Crônica Narrativo-Descritiva

É quando uma crônica explora a caracterização de seres, descrevendo-os. E, ao mesmo tempo mostra fatos cotidianos ("banais", comuns) no qual pode ser narrado em 1ª ou na 3ª pessoa do singular.

Crônica Humorística

Apresenta uma visão irônica ou cômica dos fatos.

Crônica Lírica

Linguagem poética e metafórica. Expressa o estado do espírito, as emoções do cronista diante de um fato.

Crônica Poética

Apresenta versos poéticos em forma de crônica.

Crônica Reflexiva

Reflexões filosóficas sobre vários assuntos. Apresenta uma reflexão de alcance mais geral a partir de um fato particular.



Fonte:http://www.geniodalampada.com/trabalhos_prontos/cronica.htm

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Crônica? O que é isso?

Com certeza você já leu uma crônica, porque geralmente são publicadas em jornais ou revistas que lemos em nosso dia a dia.
A crônica é um gênero textual que fica entre literatura e jornalismo,pois resulta da visão pessoal do cronista sobre fatos retirados do noticiário ou do cotidiano. Explora o humor,tornando o texto parecudi com uma conversa fiada que temos com os amigos. O cronista observa e comenta o fato acrescentando doses de humor,ironia,crítica,proporcionando ao leitor uma visão ampla sobre o assunto mostrando a ligação da notícia com a nossa vida.
Um texto curto, regido numa linguagem descompromissada, coloquial, simples, muito próxima ao leitor. O espaço e o tempo da crânica são limitados. O narrador pode ser em 1ª ou 3ª pessoa,ou seja, pode participar ou apenas observar a situação.

Características: (Resumo)

  • geralmente é públicada em jornais e revistas;
  • relata de forma artística e pessoal fatos colhidos no noticiário jornalístico e no cotidiano;
  • consiste em um texto curto e leve;
  • tem por objetivo divertir e/ou refletir criticamente sobre a vida e os comportamentos humanos;
  • pode apresentar os elementos básicos de uma narrativa: fatos,personagesn,tempo e lugar;
  • o tempo e o espaço são normalmente limitados;
  • pode apresentar narrador-observador ou narrador-personagem;
  • linguagem geralmente de acordo com o padrão culto formal ou culto informal da língua
Fonte: William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães, Texto e Interação, ED. Atual Editora,2000.